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O cérebro e o Câncer

Tudo o que acontece no nosso corpo o cérebro percebe com facilidade e antecipação. Nós estamos treinados para isso, mas o complexo processo social que o ser humano criou nos afastou dessa dádiva da natureza.

Disfarçamos os nossos sentimentos e sensações 24 horas por dia. Nos adornamos e sorrimos quando estamos tristes para que as outras pessoas não nos percebam porque não é elegante demonstrar sentimentos. Devemos manter altivez e firmeza, mesmo quando nos deparamos com situações agressivas. É feio ficar com raiva e considerado normal não nos intrometermos com a intimidade alheia, até quando identificamos que o próximo está visivelmente precisando de ajuda. Esses são alguns exemplos do nosso cotidiano que o nosso cérebro entra em conflito com a fisiologia de uma de suas funções, que é a de vigilância contra qualquer agressão ao corpo.
Hoje, os estudos de neurofisiologia e neurobiologia com equipamentos de ressonância nuclear magnética associada a contrastes radioativos conseguem evidenciar áreas do nosso cérebro que até então eram consideradas inoperantes na formação de imagens e sensações. O mais surpreendente foi a identificação da relação do nosso corpo com o cérebro.

A ideia vigente era de que o cérebro comandava o corpo como um Deus. Existia uma divisão clara entre o cérebro do comando das funções vitais do organismo, como respiração, batimentos cardíacos, funcionamento intestinal, dentre outros, e aquele cérebro que nos dá emoção, percepção da beleza, memória e nos permite instrução.

Hoje sabemos que, ao contrário, esses dois cérebros funcionam em harmonia plena e interdependentes. Por exemplo, não conseguimos amar sem que o cérebro controlador dos hormônios e intestinos esteja de acordo com isso. É evidente que a paixão nos acelera o coração, dilata as pupilas, seca a boca antes que percebamos que a nossa emoção quer. O pior é que a pessoa amada está formada em nosso cérebro antes de conhecê-la, em um processo produtivo onde os órgãos estabelecem um modelo ideal prévio e informa à porção cerebral emotiva qual é o ideal para o nosso coração, glândula salivar e olhos. Por isso não conseguimos entender como é feita a nossa escolha pela pessoa amada, pois na verdade ele foi pré-estabelecida, podendo existir vários amores, desde que estejam dentro desse modelo. Até a formação das imagens são processadas mais pelo corpo do que pelo cérebro. Quando nos lembramos de uma pessoa que não vemos há muito tempo ou que já morreu, a imagem que nos vem não é a de uma foto 3X4, mas sim de um borrão onde estão inseridas sensações táteis, olfativas, auditivas, num processo dinâmico como uma holografia. E cada indivíduo tem uma imagem particular dessa pessoa que nunca é igual para todos.

Quando nascemos, o nosso cérebro é débil, sem percepções e os neurônios crescem dentro da calota craniana que ainda não se fechou totalmente (molera) para permitir o seu desenvolvimento. No entanto, todo o corpo já está em pleno funcionamento, com as percepções de dor, fome, respiração, tosse, espirro, que são do comando do cérebro funcional. Como uma planta, o corpo funciona como uma raiz que irá alimentar a porção do cérebro, considerada mais nobre, e municiá-lo com todas as informações necessárias para que num futuro próximo consiga desenvolver emoções.

Nessa fase, todos os valores essenciais para percepção de qualquer desajuste corporal estão presentes e nesse momento sofre a interferência sistemática do processo social e são inseridos valores antifisiológicos.

Começa então a dessensibilização do comando de alerta para processos corporais muito pequenos, como é o caso dos tumores malignos que sempre começam lentamente. Os cânceres mais frequentes, como os de pele, mama, próstata, pulmões e intestinos demoram anos para manifestarem plenamente a sua existência. De alguma forma nós devemos perceber o seu desenvolvimento, desde quando eles necessitam ampliar a vascularização ao seu redor para continuarem crescendo. Infelizmente, nos esquecemos de como notar isso e para tal utilizamos de tecnologia que substitui, algumas vezes com segurança, o nosso alarme natural realizando exames de prevenção e detecção precoce da doença.

Como voar, que é antifisiológico, vamos abusar do que conseguimos criar ao soterrarmos do nosso cérebro a sua base natural e conquistar saúde e longevidade. No geral, substituímos com propriedade.

Dr. Guilherme Bezerra de Castro
Médico Cirurgião Oncologista e Mastologista